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riscos_e_rabiscos

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Insolência não, obrigada!

                

 

Esta semana tem sido a semana em que a minha paciência tem sido testada a ver até onde aguenta. Até nem sou uma pessoa paciente para certas coisas, mas para outras reconheço que sou mais do que o geral das pessoas. Se calhar muitas em situações com as quais me deparo, algumas vezes, já teriam explodido mais cedo.

 

Fui dar as minhas aulas toda feliz e contente, até porque tinha umas aulas giras para dar. Ainda por cima hoje é o dia do 1º ano. Cantam já tão bem em inglês… Os putos são uns amores. Quer dizer, as minhas turmas são todas compostas por crianças amorosas, excepto a minha do 4º ano que tem meia dúzia de elementos de fugir a sete pés. Os outros são uns amores também.

 

Hoje foi o dia em que a corda partiu. Esses alunos do 4º ano têm andado a esticar a corda desde a semana pasasada. Todos os dias têm de fazer trabalhos de casa extra – que não fazem – como castigo e todos os dias têm ido de castigo para o director (o que não tem adiantado nada). As queixas não se limitam à minha aula e sim de todos os professores, em geral.

O director já deve estar pelos cabelos. Os profes já falaram pessoalmente com eles para os chamar à razão, o director também já o fez mas as atitudes e comportamentos continuam os mesmos.

 

Não respeitam colegas, professores ou regras. Pensam que podem fazer o que lhes apetece, ou seja, nada e que podem conversar uns com os outros como se estivessem no intervalo. Aprender?! Para quê?! Que não aprendam, tudo bem mas pelo menos deixem os colegas aprender. Estas abéculas não têm o direito de impedir os outros de aprender!!!

 

Hoje passei-me da cabeça e levaram a maior descasca que alguma vez tinham levado aqui da Pessoinha. Senti-me uma panela de pressão. Cheia (de nervos) já eu estava de todas aquelas situações, depois, danada, gritei com eles (confirmei a minha suspeita de que eles só entendem este tipo de linguagem) ameaçadoramente e, por fim, fez-se silêncio. Desconfio que depois comecei a deitar fumo pelas orelhas e faíscas dos olhos.

Continuei a minha aula como se nada se tivesse passado, com a voz mais calma do mundo mas com a cara mais trombuda que eles alguma vez viram.

 

Digam lá que não faziam o mesmo que eu?! Não acatam as vossas ordens, não trabalham, têm o desplante de responder àquilo que vocês dizem, em vez de estarem bem caladinhos e são insolentes ao ponto de vos dizer que não gostam de vocês. Se eu dissesse isto a algum professor, quando era aluna, no mínimo dava direito s uma falta disciplinar. E nem é pela questão do que disseram mas pela forma como o disseram. Não agradamos, como é óbvio,  a todos e eu não sou paga para agradar aos “meninos” mas sim para ensinar.

E podem ficar descansados que não atingiram a minha auto-estima pois o que me disseram não me afectou. Dizem o mesmo e coisas piores das outras três professoras que lhes deram aulas o ano passado e que se foram embora por não estar para aturar aquilo.

 

No fim da aula, levei-os ao director e mandei-os explicar – como faço sempre – porque estavam ali. Ficaram calados que nem ratos. A valentia ficou dentro da sala de aula. Mas eu contei o que se passou. O director, coitado, ficou capaz de os engolir pois tinha estado a falar com eles uma hora antes sobre o comportamento deles. Eu já tinha verificado que falar com eles não servia de nada.

Em frente a eles, disse ao director que hoje tinha sido a gota de água e que não admitia mais insolência. E que se isto se repetisse novamente, exigia uma reunião com os pais dos alunos. O director informou os alunos que na semana que vem, iria marcar uma reunião com os pais, em que os alunos estariam presentes, para resolver a situação.

 

Já não aguentava mais estar sempre com paninhos quentes e a “tolerar” as porcarias que os meninos fazem nas aulas. Acham que exagerei?

A minha vontade era gravar os meninos para depois mostrar aos papás como os meninos se comportam na sala de aula. É que às vezes contar só o que se passa, não basta!